Saio do trabalho todo dia às 5 da tarde. Não é um horário feliz. Dia nenhum. Mas com chuva... torna-se especialmente nada feliz. Pois então que quinta-feira, 4 da tarde, estava um sol de rachar. 10 minutos depois o céu escureceu, veio pela janela aquele cheiro característico e eu pensei: f...., quer dizer, eu pensei "é hoje que eu chego em casa 9 da noite".
Quando pisei na rua, nessa quinta-feira que o céu caiu, pensando em correr mais que a chuva, os primeiros pingos vieram. Eu sou lenta demais perto dela – da chuva! Mal cheguei até a esquina e tive que parar dentro de um supermercado. De lá, olhava aquele dilúvio, imaginava os carros grudando um na bunda do outro, o barulho ensurdecerdor das buzinas, o dia virando noite... e o ônibus lotado! Não sei se foi a força do meu pensamento, mas foi exatamente assim que aconteceu. Abro aqui um parenteses pra dizer que por esses dias minha mãe veio contando de algo que leu em um livro que agora não me retorno o nome. Mas esse livro, esse autor, dizia que os pensamentos e emoções tem o poder de se agrupar com seus semelhantes. Quer dizer que se eu penso coisas ruins, vou me agrupar com outros pensamentos ruins e isso "obviamente" vai gerar coisas negativas em volta de mim, já nós pensamentos negativos estaremos colados uns nos outros, vibrando isso tudo de péssimo. Fecho os parênteses.
Depois que consegui sair do mercadinho e chegar ao ponto de ônibus, ele veio rápido. Mas depois disso, tudo só andou pra trás. Levei o dobro do tempo pra chegar na saída da cidade, onde desço, atravesso 1 rodovia e 1 avenida e chego no outro ponto de ônibus. Qdo olhei, os faróis estavam quebrados, todos piscando amarelo. Imagine atravessar cruzamentos de rodovias e avenidas super movimentadas, 6 da tarde, em São Paulo chuvoso (falei que começou a cair "o" pé d'água?!). Eu ria de nervoso. E, próxima do meio fio, esperando uma oportunidade ou uma alma caridosa que me deixasse atravessar, tomei nada menos que 3 banhos dos carros que passavam pelos alagamentos em alta velocidade! Depois de finalmente chegar ao ponto, esperar meia hora e entrar no ônibus que me levaria pra casa, tentei relaxar. Mas tive que relaxar muito pq fiquei 2 hs dentro de um ônibus lotado, onde as pessoas queriam ficar com a janela fechada senão estragariam o penteado. Claro que, mesmo correndo o risco de apanhar, abri meia dúzia de janelas enquanto me segurava pra não chorar e descer do ônibus para andar a pé os últimos 10 quilômetros.
Me lembrei, nas 2 horas que fiquei lá dentro, de um episódio que ocorrera no almoço daquele mesmo dia. Estava eu preparando uma salada de tomates com batata doce, cortando os legumes. Um funcionário que eu não conheço veio e disse: "Vc tem que cortar com o garfo". Eu, que não suporto gente que eu não conheço se metendo no que eu estou fazendo: "Cortar com o garfo? Pra que se eu tenho faca?". E ele: "Não... ao invés de segurar com a mão e cortar, vc TEM QUE segurar com o garfo". "Ahhhh. PRA QUE??". "Por causa da gripe suína". Putz. Me calei na hora, mas no ônibus, pensei num diálogo imaginário, onde só eu falava. Gripe suína?? Eu lavei a minha mão, lavei o tomate e ninguém mais vai encostar nisso! Minha mão, meu tomate, minha comida, meu problema, by the way!! E o que eu faço num ônibus lotado com todas as janelas fechadas? Corto todo mundo com o garfo??!! Tô falando em relação à gripe suína, claro. Porque minha salada é super perigosa, eu sei. Mas e a vida real???
Não cheguei nove. Cheguei oito. 8. Nada mais nada menos que 3 horas num percurso de menos de 20km. Três horas. É. Isso. Aí.







